PMDB e PT já dormem em camas separadas

Em crise com governo, PMDB parece já dar como certa a separação do PT

Em crise com governo, PMDB parece já dar como certa a separação do PT

O clima é de final de casamento. Descontentamento dos dois lados. Todos estão certos e errados, isso é claro. PMDB e PT vem, ao longo do mandato de Dilma, se estranhando constantemente e parece que a relação está mais perto do fim do que de um novo rearranjo.

A cada briga os principais nomes dos dois partidos ficam desgastados. Acertos que antes aconteciam em conversas entre Temer e Dilma, agora recebem a interferência de outros caciques como Rui Falcão, presidente do PT.

Nos últimos quinze dias o que mais se viu na mídia, foi o confronto aberto entre a presidente e as lideranças da câmara e do senado, ambas conduzidas pelo PMDB. O capítulo mais recente é a exclusão de Eduardo Cunha, líder do PMDB na câmara.

O clima de insatisfação tem a ver com a demora na reforma ministerial, mas também com a falta de liberação de emendas. O PT detém 17 ministérios, enquanto o PMDB apenas 5. Fora isso, pode-se ouvir as queixas dos ministros que a estrutura embaixo deles é praticamente toda do PT.

Mesmo assim não acredito que toda essa confusão se deu pela recusa de Dilma em ceder mais um ministério. Creio que até o pedido dele foi ensaiado pelo PMDB para fazer a crise surgir. Não faz sentido algum obter uma cadeira neste momento, visto que estamos há poucos meses da eleição e que os principais nomes do partido serão candidatos. Quem seria ministro a esta altura do jogo político?

Dilma optou pela queda de braço com os aliados e estes acenaram com medidas de retaliação como, por exemplo, promover uma investigação sobre a Petrobrás, cuja comissão já foi aprovada mesmo com a tentativa do governo de obstruir a pauta. O marco civil da internet será o próximo alvo.

No meio do fogo cruzado estão Temer e Valdir Raupp. O primeiro é o fiel escudeiro da aliança entre os dois partidos. O segundo é o presidente do partido que sofre grandes pressões dos dois lados: rebeldes e aliados ao governo.

Há uma manobra sendo executada para isolar o poder de influência do vice sobre o partido. O grupo dos rebeldes querem antecipar a convenção de junho para o próximo mês e, assim, conseguir a liberdade contra o PT.

Não seria surpresa para ninguém se, durante a convenção, além da ruptura, o grupo rebelde provocasse uma nova eleição para presidência do PMDB.

Cabe ao presidente Raupp escolher de que lado ficará. Se defender Temer, correrá o risco de ser excluído até mesmo da nova executiva do partido. Caso fique contra ele e Dilma, arrebanhará um grupo de inimigos com bastante peso político.

Ao PMDB ainda restam duas saídas para a crise: romper com o governo e lançar candidato próprio, coisa que boa parte do partido deseja, ou se aliar com o PSDB para eleger Aécio Neves.

No ano passado a cúpula do partido chegou a cogitar a fusão com o PSDB, voltando os dois para sua origem antes da cisão, retomando o nome de MDB.

A verdade é uma só: PMDB e PT já dormem em camas separadas.

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About Marcelo Vitorino

Estrategista de comunicação digital, que atua como consultor para instituições públicas, privadas e de terceiro setor.

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