PT erra a mão em confrontar Russomano

Como o meio campo na sucessão paulistana está embolado, praticamente todos os partidos miraram em um alvo: Russomano. Acredito que o PSDB faz a coisa certa ao tentar desconstruir o candidato adversário, mas não acho que o PT, na situação em que está deveria ir na mesma direção.

Apesar dos números históricos apontarem que Serra não irá ao segundo turno, há uma chance de ser ele o escolhido para disputar a prefeitura, caso Haddad tenha votação abaixo do normal.

Me lembro de uma cena tenebrosa que aconteceu em 2008, logo após Alckmin ter ficado em terceiro lugar no primeiro turno, teve que tomar um café, de forma pública com Kassab. Claro que não saiu de graça, mas a cena foi constrangedora na época…

Alckmin apoiando Kassab no segundo turno em 2008

Sorriso amarelo é pouco

Se Haddad não chegar ao segundo turno, continuando no rumo em que está, ficará distante demais para que possa se aproximar depois.

O que falta ao núcleo da campanha petista é a memória. Lula só ganhou a cadeira presidencial quando abandonou o estigma de revoltado contra o sistema e aderiu ao “Lulismo Paz e Amor”.

Haddad ao confrontar Russomano pode estar dando um tiro no pé, pois só está colocando o adversário no corner, mas não está fazendo que sua campanha empolgue, que é o mais importante no momento.

Russomano já começou a cair nas pesquisas, mas isso não significa a subida de Haddad. Essa aula já deveria ter sido assimilada na eleição presidencial onde Serra batia desesperadamente em Dilma e, mesmo assim, isso não lhe rendia votos. Na verdade, só aumentava a sua rejeição.

Campanha política é como um jogo de snooker, onde não ganha quem tem talento apenas para encaçapar bolas, mas também quem sabe jogar defensivamente, de forma a dificultar o trabalho do adversário.

Geralmente os partidos nanicos é que se encarregam de fazer os ataques, liberando os grandes para fazer campanha e angariar votos. Ataque e defesa devem ser coordenados.

Uma campanha não pode sobreviver de atacar os adversários, ela deve, antes de tudo, mostrar o valor de suas propostas e cativar os eleitores.

A postura de Haddad não está construindo uma ligação emocional necessária com o eleitorado petista, falta empatia, sobra soberba.

Até mais!

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About Marcelo Vitorino

Estrategista de comunicação digital, que atua como consultor para instituições públicas, privadas e de terceiro setor.

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